Você já percebeu que algumas pessoas com doença de Alzheimer ou outras demências ficam mais confusas, agitadas ou inquietas no final da tarde?
Esse comportamento pode estar relacionado ao que chamamos de Síndrome do Pôr do Sol, também conhecida como sundowning.
Ela costuma acontecer no final da tarde ou começo da noite e pode fazer com que alguns idosos apresentem mudanças no comportamento justamente nesse período. É importante lembrar que nem todos passam por isso e que os sinais podem ser diferentes de uma pessoa para outra.
O que pode acontecer nesse período?
Durante o dia, o idoso pode estar tranquilo e realizando suas atividades normalmente. Mas, conforme o dia vai terminando, sinais de confusão, inquietude, irritação ou ansiedade podem surgir. Também podem ter dificuldade para reconhecer o ambiente, perguntar várias vezes a mesma coisa, querer ir embora, andar pela casa sem um objetivo aparente ou apresentar alterações no sono.
Em alguns casos, o idoso pode ficar mais desconfiado ou ter dificuldade para entender o que está acontecendo ao seu redor. Esses sinais podem variar de pessoa para pessoa e podem aparecer com mais intensidade em determinados dias ou horários.
Por que isso acontece?
Ainda não existe uma única explicação para a Síndrome do Pôr do Sol.
Uma das principais hipóteses está relacionada ao ritmo circadiano, que é como se fosse o relógio interno do nosso organismo responsável por ajudar a organizar períodos de sono e outras funções ao longo do dia.
Nas idosos com demência, esse ritmo pode estar alterado. A mudança da luminosidade no final do dia, o cansaço acumulado e as alterações no sono podem contribuir para o aparecimento ou aumento desses comportamentos.
Além disso, outros fatores também podem influenciar. Dor, fome, sede, necessidade de ir ao banheiro, excesso de barulho, mudanças na rotina ou um ambiente muito movimentado podem deixar o idoso ainda mais confuso ou agitado.
Por isso, observar o que acontece antes desses episódios pode ajudar bastante a entender o que está desencadeando aquele comportamento.
Como ajudar nesses momentos?
Uma rotina organizada pode fazer bastante diferença. Tentar manter horários parecidos para acordar, fazer as refeições, realizar atividades e dormir ajuda o idoso a entender melhor o que está acontecendo durante o dia.
A exposição à luz natural pela manhã também é uma das medidas comportamentais recomendadas pelo Ministério da Saúde para pessoas com demência. Atividade física, estímulos cognitivos e a manutenção de uma rotina também podem contribuir para a qualidade de vida.
Quando a tarde estiver chegando, vale a pena reduzir aos poucos os estímulos do ambiente, como luzes muito fortes, fechar as cortinas, televisão alta, muitas pessoas falando ao mesmo tempo, entre outros. À noite, manter o ambiente mais tranquilo e silencioso também pode ajudar.
E quando o idoso fica agitado?
Nesse momento, discutir ou tentar convencer a pessoa de que ela está errada geralmente não ajuda.
O melhor é manter a calma, falar de maneira simples e tranquila e tentar entender o que ela está precisando.
Se ela estiver com medo, por exemplo, podemos tentar oferecer segurança. Se estiver procurando alguma coisa, podemos acompanhá-la e tentar descobrir o que está causando aquela preocupação.
Também é importante verificar se existe alguma necessidade física, como fome, sede, dor ou algum outro desconforto.
O mais importante é não tratar o comportamento apenas como “teimosia”. Muitas vezes, aquele comportamento é a maneira que a pessoa encontrou para demonstrar que alguma coisa não está bem.
Quando procurar ajuda?
Se as mudanças de comportamento forem frequentes, muito intensas ou aparecerem de forma repentina, é importante conversar com a equipe de saúde que acompanha o idoso.
Isso porque nem toda agitação no final do dia significa necessariamente Síndrome do Pôr do Sol. Outras situações, como dor, infecções, alterações do sono ou outros problemas de saúde, também podem causar mudanças repentinas no comportamento.
Uma avaliação adequada ajuda a entender o que está acontecendo e qual é a melhor forma de cuidar daquela pessoa.
O mais importante:
A Síndrome do Pôr do Sol pode fazer parte da rotina de alguns idosos, mas cada um vai vivenciar esse momento de uma maneira diferente. Observar os horários em que os comportamentos aparecem, manter uma rotina organizada, deixar o ambiente mais tranquilo no final do dia e, principalmente, ter paciência e acolher, são atitudes que podem ajudar.
No cuidado com a demência, entender o comportamento também é uma forma de cuidar.
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Referências
* Ministério da Saúde – Linhas de Cuidado. Pessoas com Demência – Planejamento terapêutico
* Reimus, M.; Siemiński, M. Sundowning Syndrome in Dementia: Mechanisms, Diagnosis, and Treatment. Journal of Clinical Medicine, 2025.